20/06/2014

A IDADE...

É mais fácil envelhecer com amigos


Temos quase todos a mesma idade e por isso, muita vida partilhada, muito caminho percorrido, muitas coisas em comum.
Já não nos contrariam quando afirmamos que estamos velhos.
Precisamos todos de óculos para ver ao perto, temos cabelos brancos que às vezes disfarçamos com tintas de cores que nunca foram as nossas, temos rugas que já não são de expressão, faltam-nos alguns dentes, doem-nos as articulações, esquecemo-nos muitas vezes do sitio onde guardámos o telemóvel, as chaves, a carteira, o livro que estávamos a ler, ou até mesmo os óculos para continuarmos a ler o livro. Não nos lembramos como se chamam os actores que fizeram aquele filme de que gostámos tanto e do qual também esquecemos o nome; repetimos as mesmas histórias e parece-nos sempre que é a primeira vez que as contamos; temos as mesmas memórias dum passado comum, e dói-nos a mesma saudade dos que já partiram.
Alguns têm filhos, outros já têm netos, outros sobrinhos netos, outros têm só amigos.
Gostamos de estar juntos, de promover encontros, quase sempre almoços ou jantares. Festejamos os aniversários de cada um e desejamo-nos saúde e “amigos também”.
Gostamos de ir em grupos, ao teatro e ao cinema, à praia ou passear pelas ruas.
Gostamos de falar de politica, das brincadeiras dos netos, das coisas do nosso mundo e do mundo dos outros; partilhamos as preocupações quanto ao futuro dos filhos, dos netos, quanto ao nosso futuro.
Embirramos muito uns com os outros mas também cultivamos o riso. Rimo-nos das pequenas coisas, rimos sem complexos, rimos, porque alguns de nós sabem fazer-nos rir. Rimos dos nossos esquecimentos, das falhas da nossa memória, rimo-nos de nós.
Em comum também temos o medo.
Medo dum futuro desconhecido. Que faremos do tempo que nos falta para viver? Que serão as nossas vidas? E se ficarmos doentes? E se perdermos a autonomia? Quem cuidará de nós? O que farão os nossos filhos? E quando um de nós partir?

Mudamos de conversa e dizemos que não vamos pensar mais naquilo, rimos, porque sabemos que o riso é a mais eficaz arma contra o medo, e afastamos a tristeza.
O nosso presente é agora.
É estarmos vivos e juntos.
O futuro é já amanhã, é um dia a seguir ao outro.

Luisa Barata, Barreiro

Público, 25 de Maio de 2014 – em “Cartas à Directora”


16/06/2014

O COMEÇO DA COPA DO MUNDO


                                    Hila Flávia

Passei os últimos dias muito ansiosa. Quase que contando os dias para o começo da copa do mundo de futebol. Não só por causa dos jogos, mas pela cerimônia de abertura no estádio do Corinthians.
Desde que ouvi pela primeira vez o nome de Miguel Nicolellis fiquei muito interessada no trabalho dele. Depois, até comprei uma cópia da entrevista que ele concedeu à Rede Bandeirantes de Televisão e assisti a ela muitas vezes. Procuro saber do que acontece lá onde ele trabalha no Brasil, que é um instituto situado na cidade de Natal, no Rio Grande do Norte. Considero suas pesquisas extraordinárias e leio tudo que a elas se refere.  Vivi momentos esperançosos de ver o primeiro paraplégico, escorado por um aparelho desenvolvido pelo neurocientista e sua equipe, andar e dar o chute inicial da copa.
O que aconteceu? Ao certo não sei. Mas surgiram informações de que a FIFA teria impedido a exibição porque não fazia parte do protocolo da copa. Outra informação foi de que o aparelho era pesado e machucaria o gramado. E outra era de que, não tendo sido publicado nas revistas oficiais de medicina o projeto do cientista, ele ainda não deveria ser mostrado ao público.
Esse assunto de mobilidade humana mexe comigo. Mesmo porque tenho por certo que danos de preconceito a gente só consegue avaliar quando é vitima na questão. Somente sabe do que é preconceito racial o negro, o índio, o oriental ou o que não é igual aos ofensores. Os demais podem avaliar, mas não sabem o estrago causado. Somente gordos sabem o que é ser ridicularizado. Muitas vezes não com palavras somente, mas com risos, olhares e gestos. Mesma coisa com os baixos ou altos acima da média, os pobres, os homossexuais.  Enfim, somente o ofendido sente a ofensa. Os demais avaliam por causa do sentimento de empatia, de solidariedade ou de fraternidade. Mesma coisa os cadeirantes, deficientes e portadores de necessidades especiais de locomoção.
Agora, um neurocientista brasileiro descobre como liberar deficientes físicos de sua cadeira, vestindo uma armadura hoje ainda pesada. Amanhã, certamente uma placa leve nas costas. O que faz o governo brasileiro para valorizar a nossa produção científica em matéria de tamanha importância mundial?  Nada. No que deveria ser uma mostra da esperança que esse invento traz, usando a maior vitrine do mundo, o governo se abaixa, mais uma vez, às exigências da famigerada FIFA, uma organização maior que a ONU, maior que o papado, maior do que tudo. Um big brother que faz e desfaz neste país como se dele fôssemos reféns e capachos. Muda o estatuto dos estádios e manda liberar bebida alcoólica, quando isso já havia sido superado. Eleva os preços dos ingressos a um patamar tal que somente os ricos têm acesso. Enfim, mandam e desmandam. E, como pá de cal, acabamos por ver uma cerimônia de abertura pífia, muito aquém do nosso talentoso povo, importada, burocrática e infanto-juvenil. Já promovi, nas escolas onde lecionei música, em priscas eras, festinhas muito mais criativas. Cantores que não nos representam, música ininteligível e ruim. Que significa Jennifer Lopez cantar no Brasil em nosso nome? Nadica de nada. E aquele cantor cujo nome nem sei? Que é que é isso? Não temos músicos maravilhosos, dançarinos esplêndidos e a melhor música do mundo? E nossos coreógrafos, capazes de fazer o maior espetáculo da terra a partir do povo? Fiquei até pensando que a coreógrafa contratada fosse parenta do presidente da FIFA. Será? Se for, é o caos do caos.
Enfim, houve a abertura, ganhamos com dificuldade, ajudados pelos olhinhos fechados do juiz, mas ganhamos. Não precisava aquela “ajuda”. Vamos em frente que atrás vem gente.
Mas, ninguém merece tanta subserviência!


14/06/2014

EXPLICAÇÃO!

                                                              Vou torcer pelo Brasil.
"Atenção...
 Eu disse: Vou torcer pelo Brasil e não pelo time do Brasil. 
Calma, leia um pouco mais.
Vou torcer para que não haja problemas nos estádios, tumultos, brigas.
Vou torcer para que não ocorra nada que precise de atendimento em grande escala nos nossos hospitais.
Vou torcer para que não aconteça crimes graves contra turistas estrangeiros....
Mas não vou torcer pelo time do Brasil. 
Não quero que o PT capitalize em cima da Copa (especialistas nisso) e reeleja a presidente.
Esta talvez seja a última e única chance que temos de tirar o poder do PT e evitar a venezualização do Brasil.  Por que se o Brasil perder, o sentimento de perda vai ser muito grande. 
Vai juntar o gosto amargo da roubalheira e completa desorganização com a perda de mais uma Copa dentro do Brasil. 
Mas isto será bom para o Brasil, pois vai potencializar o sentimento de necessidade de mudança.
Pois aí vamos alternar o poder e quem sabe temos alguma chance de termos um país melhor para as gerações futuras.
Pense bem. Que diferença irá fazer na nossa vida se formos hexa? 
Se fôssemos um país em que as coisas básicas estivessem em ordem, seria ótimo, felicidade total. Mas está longe de ser o caso.
Muita gente está com este sentimento dúbio.
Afinal, ganhar a Copa é muito bom. 
Mas essa Copa, se ganharmos, infelizmente fará um grande mal ao futuro do país.
Você já deve ter observado como não há bandeiras do Brasil penduradas nas janelas como em outras Copas.
E ninguém combinou nada. É apenas o retrato do sentimento das pessoas. 
As pessoas não estão no clima real de Copa, não estão confortáveis e não querem passar o carão de ser taxadas de alienadas.
Ontem, vi um casal pendurando uma bandeira com as cores do Brasil e uma tarja preta no meio. Tive vontade de aplaudir.
Por mais incrível e triste que pareça, este é um momento perfeito para o Brasil perder a Copa.
Não fique triste se perdemos a Copa. 
Esta tristeza será transitória. 
A outra tristeza será para sempre."


Boa sorte, RECEBIDA SEM AUTORIA, por email.
quem souber me avise e dou-lhe o crédito


11/06/2014

A CIDADE VERSUS A ALDEIA


Um comentário em post anterior, recordou-me uma história com interesse: Em Londres cruzaram-se, numa das ruas principais, os idosos Brown e Smith, dois Lords muito cultos e frequentadores de locais como museus, casas de espetáculos, de concertos, de conferências, etc. Brown cumprimentou o Smith, efusivamente: Ainda bem que o encontro amigo Smith porque gostava de me despedir de si, visto que amanhã parto para a aldeia onde nasci, no nordeste da Escócia, uma pequena aldeia, onde desejo passar o pouco tempo que me resta de vida. Mas amigo Brown,isso parece-me um erro. Lá não tem socorro para qualquer achaque que venha a ter, o que passa a ser frequente nesta idade, lá não tem os museus, as bibliotecas, etc que gosta de frequentar... Tem razão amigo Smith, não tenho nada disso a que se refere, mas se aqui me dá um desmaio na rua, embora haja possibilidade de socorro que na aldeia não existe, as pessoas passam ao lado e não ligam, pensando «este velhote está a curtir a bebedeira» e acabo por morrer sem um afecto, uma palavra, um gesto de solidariedade. Ao contrário, na aldeia, se isso me acontecer, embora não haja possibilidade de um socorro oportuno e eficiente, por o hospital estar distante e não haver facilidade de transporte, haverá quem se aproxime e diga, «pobre Sr Brown, era tão boa pessoa, amigo de toda a gente, sempre com uma palavra amiga, e vai nos deixar, Deus lhe pague o bem que nos queria. E morrerei confortado por vozes amigas. 

Será desejável que as pessoas apressadas das cidades desenvolvam mais respeito pelos seus semelhantes e se disponibilizem a ajudar quem estiver em dificuldade, pelo menos com uma palavra ou um gesto de afecto. 
A.João Soares 
(colega e amigo de Portugal)

09/06/2014

CORAÇÃO VERDE E AMARELO (COM LEGENDAS)


COPA DO MUNDO
"Uma festa que fora de casa nos trazia expectativas e alegrias desta vez em casa, ela não acontecerá nos campos de futebol. 
Na verdade é mais provável que ocorra fora dos estádios onde foram convocadas manifestações para protestar contra os gastos públicos na Copa do Mundo!
Esta ação forja um novo país e derruba a ideia de que os brasileiros tinham de sí mesmos: um povo passivo."

08/06/2014

A imprensa não mostrou

OSCAR SCHMIDT (NOSSO "MÃO SANTA") MAIOR JOGADOR DE BASQUETE BRASILEIRO
DISCURSO EMOCIONANTE NO "
HALL DA FAMA DO BASQUETE" NOS ESTADOS UNIDOS 
(OSCAR FALA, EM MUITO BOM INGLÊS, COM LEGENDA EM PORTUGUÊS)
 


Não se viu nenhuma referência na mídia brasileira
Vale a pena ver até o final que emociona a todos brasileiros presentes.





06/06/2014

DESPERTADOR HUMANO

Sabem o que esta senhora está a fazer?
https://fbcdn-sphotos-h-a.akamaihd.net/hphotos-ak-ash3/t1.0-9/1972390_766661566679639_311461344_n.jpg
Esta senhora estava no exercício da sua profissão de despertador humano!!
HAHAH…. Não sabiam!!
 A profissão de “despertador humano” existiu até meados do século passado.
Tratava-se de pessoas contratadas para acordarem outras, foi muito “usada” sobretudo após a revolução industrial, na Irlanda e na Inglaterra, onde eram conhecidos comoknocker-up ou  knocker-upper.
A senhora da imagem acima estava, nada mais, nada menos, do que a expelir ervilhas secas para uma janela… para que o trabalhador se levantasse e desse mostras de estar já acordado.
 Também eram utilizados outros objectos tais como pedras, paus, canas, etc….
 Ficam mais imagens.

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEggSQtoKGK4qmssKtUtZGERje2WKmxGiMzZOEGsQwraiRwjGvePpQgw54H3KZM1ReRJWuJyxKfgrP5xZd6fyJG4YmDi38WKf67u-chO0Jqla_YJ5QJFmPoToqXbmnhBg_5l5vDJ6h6UExgh/s1600/Knocker-up-despertadores-humanos-15.jpg


knocker-up, despertadores humanos

knocker-up, despertadores humanos


knocker-up, despertadores humanos

knocker-up, despertadores humanos


05/06/2014

DOIS BARBOSAS



que pena... só temos dois!




100 anos se passaram mas parece que um Barbosa (Rui) escrevia para outro (Joaquim):
"Sinto vergonha de mim
por ter sido educador de parte deste povo,
por ter batalhado sempre pela justiça,
por compactuar com a honestidade,
por primar pela verdade
e por ver este povo já chamado varonil
enveredar pelo caminho da desonra.

Sinto vergonha de mim
por ter feito parte de uma era
que lutou pela democracia,
pela liberdade de ser
e ter que entregar aos meus filhos,
simples e abominavelmente,
a derrota das virtudes pelos vícios,
a ausência da sensatez
no julgamento da verdade,
a negligência com a família,
célula-Mater da sociedade,
a demasiada preocupação
com o 'eu' feliz a qualquer custo,
buscando a tal 'felicidade'
em caminhos eivados de desrespeito
para com o seu próximo.

Tenho vergonha de mim
pela passividade em ouvir,
sem despejar meu verbo,
a tantas desculpas ditadas
pelo orgulho e vaidade,
a tanta falta de humildade
para reconhecer um erro cometido,
a tantos 'floreios' para justificar
actos criminosos, a tanta relutância
em esquecer a antiga posição
de sempre 'contestar',
voltar atrás e mudar o futuro.

Tenho vergonha de mim
pois faço parte de um povo

que não reconheço,
enveredando por caminhos
que não quero percorrer...

Tenho vergonha da minha impotência,
da minha falta de garra,
das minhas desilusões
e do meu cansaço.

Não tenho para onde ir
pois amo este meu chão,
vibro ao ouvir o meu Hino

e jamais usei a minha Bandeira
para enxugar o meu suor
ou enrolar o meu corpo na pecaminosa

manifestação de nacionalidade.

Ao lado da vergonha de mim,
tenho tanta pena de ti,
povo deste mundo!"

'De tanto ver triunfar as nulidades,
de tanto ver prosperar a desonra,
de tanto ver crescer a injustiça,
de tanto ver agigantarem-se

os poderes nas mãos dos maus,
o homem chega a desanimar da virtude,
A rir-se da honra,

a ter vergonha de ser honesto'.
(Rui Barbosa - 1918)


Manifestação de Joaquim após o julgamento.






Não é a política que faz o candidato virar ladrão,


é o seu voto que faz o ladrão virar político.





04/06/2014

"O SILÊNCIO"

O Silêncio

Nós os índios, conhecemos o silêncio.  Não temos medo dele.
Na verdade, para nós ele é mais poderoso do que as palavras.
Nossos ancestrais foram educados nas maneiras do silêncio e eles
nos transmitiram esse conhecimento.
"Observa, escuta, e logo atua", nos diziam.
Esta é a maneira correta de viver.
Observa os animais para ver como cuidam se seus filhotes.
Observa os anciões para ver como se comportam.
Observa o homem branco para ver o que querem.
Sempre observa primeiro, com o coração e a mente quietos,
e então aprenderás.
 Quanto tiveres observado o suficiente, então poderás atuar.
Com vocês, brancos, é o contrário. Vocês aprendem falando.
Dão prêmios às crianças que falam mais na escola.
Em suas festas, todos tratam de falar.
No trabalho estão sempre tendo reuniões
nas quais todos interrompem a todos,
e todos falam cinco, dez, cem vezes.
E chamam isso de "resolver um problema".
Quando estão numa habitação e há silêncio, ficam nervosos.
Precisam  preencher o espaço com sons.
Então, falam compulsivamente, mesmo antes de saber o que vão dizer.
Vocês gostam de discutir. 
Nem sequer permitem que o outro termine uma frase.
Sempre interrompem.
 Para nós isso é muito desrespeitoso e muito estúpido, inclusive.
Se começas a falar, eu não vou te interromper.
Te escutarei.
Talvez deixe de escutá-lo se não gostar do que estás dizendo.
Mas não vou interromper-te.
 Quando terminares, tomarei minha decisão sobre o que disseste,
mas não te direi se não estou de acordo, a menos que seja importante.
 Do contrário, simplesmente ficarei calado e me afastarei.
Terás dito o que preciso saber.
Não há mais nada a dizer.
Mas isso não é suficiente para a maioria de vocês.
Deveríamos pensar nas suas palavras como se fossem sementes.
Deveriam plantá-las, e permiti-las crescer em silêncio.
Nossos ancestrais nos ensinaram que a terra está sempre nos falando,
e que devemos ficar em silêncio para escutá-la.
Existem muitas vozes além das nossas.
Muitas vozes.
 Só vamos escutá-las em silêncio.



"Neither Wolf nor Dog. On Forgotten Roads with an Indian Elder" - Kent Nerburn

01/06/2014

EDUQUE AS EMOÇÕES



Cada momento da vida guarda lições e aprendizados muito especiais.

No trabalho da educação da mente, reside uma grande dificuldade para a maioria das pessoas.

Quando você esteja à frente alguém que lhe é apresentado, ou alguém que esteja vendo por primeira vez, é comum a excitação das conjecturas.

Há momentos em que você é tomado por grandes simpatias, à primeira vista, entregando-se, totalmente, ao “amigo” novo.

Em nome do bom senso, será recomendável que você trate a todos com fraternidade, deixando, porém, a maior abertura do coração para depois do devido entrosamento, do necessário conhecimento recíproco, o que a convivência cuidadosa permite.

Assim agindo, trabalhará com simpatia, sem se queixar de frustrações ou decepções, decorrentes do estouvamento e invigilância tão comuns em muitas almas.

Há circunstâncias, porém, nas quais você marca o novo conhecido por tremenda antipatia, prevendo ou prejulgando-lhe o caráter, fazendo-se enormemente fechado, frio e antipático, cerrando qualquer chance de maior aproximação do outro.

Não há nenhuma necessidade de tanta friagem emocional.

Pode-se ter cuidados e manter cautelas com gestos fraternos, com espírito de cooperação, devidamente eqüidistante dos arroubos entusiásticos e das posições de gelo.

Evite tachar as pessoas, antes de as conhecer eminentemente.

Como é perfeitamente natural que você tenha o seu parecer inicial sobre qualquer pessoa, e isso é inevitável, pelo menos reserve espaço para mudar de opinião e de postura, na medida do maior contato, para que não peque por excesso ou por falta, guardando-se em clara maturidade emocional.

Nunca suponha que estará deixando de ser bom cristão se tiver cautelas emocionais. Não, não é assim.

O mundo está repleto de crimes perpetrados na hora do acordamento de muita gente.

“Descobri que fulano não era quem eu pensava”.

Mas, era você que pensava, e não o fulano que afirmou ser o que você pensava... Uma reflexão e lição de vida recebida por e-mail do colega e amigo Luis Soares



“Sofri decepção com beltrano”.

Com beltrano não é bem o caso. A decepção foi consigo mesmo que fez um juízo muito avantajado do outro, sem considerar que o outro é igualmente falível, porque é gente.

Eduque as suas emoções relativamente ao contato humano. Você só terá a crescer, aprendendo a descobrir as suas reais afinidades d’alma, identificando aqueles que não lhe sejam tão amistosos, conseguindo, não obstante, conviver e ser útil a todos.

Meditação: Em todas as circunstâncias, toma por guia a caridade, tendo como certo que aquele que prejudica a outrem com palavras malévolas, que fere com o seu orgulho e o seu desprezo a suscetibilidade de alguém, que não recua à idéia de causar um sofrimento, uma contrariedade, ainda que ligeira, quando a pode evitar, falta ao dever de amar o próximo e não merece a clemência do Senhor. (Cap. XVII, item 3, nono parágrafo – ESE




Uma reflexão e lição de vida recebida por e-mail do colega e amigo Luis Soares a quem agradeço









30/05/2014

MINISTRO JOAQUIM BARBOSA ANUNCIA AFASTAMENTO DO STF

O ministro Joaquim Barbosa surpreendeu com o anúncio da aposentadoria antecipada do Supremo Tribunal Federal. Ele se tornou uma das figuras mais respeitadas depois do julgamento do mensalão. Quando anunciou o afastamento no plenário, Joaquim Barbosa não explicou o motivo da saída. O relator do processo do mensalão - que ficou quase 11 anos no STF – disse que permanece no tribunal até o recesso de julho.
Na visita ao Senado, o ministro Joaquim Barbosa falou sobre a decisão de se aposentar, e o presidente do Congresso foi quem comentou a informação primeiro. “O ministro surpreendentemente nos disse que vai deixar o STF e veio se despedir”, disse Renan Calheiros.
Foi surpresa até para outros ministros do STF. Logo no começo da sessão, Joaquim Barbosa fez o anúncio público. “Meu afastamento do serviço público após quase 41 anos. Tive a felicidade, a satisfação e a alegria de compor essa corte no que é talvez o seu momento mais fecundo, de maior criatividade e de importância no cenário político institucional do nosso país”, disse.
Ele não deu muitos detalhes do que pretende fazer a partir de julho. Candidato ele não poderá ser porque o prazo para magistrados deixarem o cargo e se candidatarem já acabou. Em uma resposta curta, disse que só falaria sobre os planos imediatos: vai ver a Copa em Brasília e depois quer descansar.
Foram 11 anos na mais alta corte do país e menos de dois na presidência do tribunal. Joaquim Barbosa foi relator, desde 2005, do processo que virou o maior julgamento da história do STF: o do mensalão. Por causa de um problema na coluna, ficava em pé durante boa parte das sessões.
A atuação dele no processo que condenou 24 políticos e empresários foi lembrada pelo ministro Marco Aurélio Mello. “Veio a ser relator de uma ação penal importantíssima no que o Supremo, como um colegiado, acabou por reafirmar que a lei e lei para todos indistintamente”.
O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, lembrou que eles começaram juntos no Ministério Público e lamentou a saída de Joaquim Barbosa. “Fica aqui um protesto pela saída prematura e fica também o agradecimento do Ministério Público brasileiro, de que tenho a honra e o privilégio de ser o porta voz”.
No fim do dia, o gabinete do ministro ficou lotado e ele - de chapéu - tirou fotos a equipe. Joaquim Barbosa poderia continuar no supremo tribunal federal por mais dez anos. Ele vai completar 60, e os ministros tem que se aposentar compulsoriamente somente aos 70 anos. Quem assume a presidência do STF é o ministro Ricardo Lewandowski.

27/05/2014

26/05/2014

O PAPA FRANCISCO

Israel e Palestina aceitam convite do Papa e vão ao Vaticano
O presidente israelita saudou a iniciativa do Papa Francisco de oferecer "a sua casa" a israelitas e palestinianos para rezarem pela paz, afirmando que "desde sempre apoiou qualquer iniciativa" deste tipo.

"O presidente aceita o convite do Papa Francisco, sempre apoiou e vai continuar a apoiar qualquer iniciativa para promover a causa da paz", afirmou à agência Efe uma fonte próxima do gabinete de Shimon Peres.

Também o presidente palestiniano, Mahmud Abbas, aceitou o convite do Papa Francisco para rezar pela paz com o presidente de Israel, no dia 6 de junho no Vaticano, afirmou à AFP o chefe das negociações da Palestina.

O Papa convidou os presidentes da Autoridade Nacional Palestiniana e de Israel a unirem-se num momento de oração no Vaticano. "Muitos constroem a paz dia-a-dia com pequenos gestos, pequenas coisas, muitos deles com sofrimento mesmo sem terem consciência disso. Aqueles que fazem parte da Igreja têm a obrigação de se tornarem ferramentas para a paz, especialmente através das nossas orações", afirmou o Papa Francisco.


Antes de iniciar a missa na praça da Manjedoura, em Belém, o Papa, que começou no sábado uma viagem pela Terra Santa, admitiu que construir a paz "pode ser difícil", mas disse que "viver sem paz é um sofrimento".

FOGO APAGOU cantando,



                                  

22/05/2014

POLITICA E SERVIÇO



SOBRE POLÍTICA E JARDINAGEM – Rubem Alves


De todas as vocações, a política é a mais nobre. Vocação, do latim vocare, quer dizer "chamado". Vocação é um chamado interior de amor: chamado de amor por um "fazer". No lugar desse "fazer" o vocacionado quer "fazer amor" com o mundo. Psicologia de amante: faria, mesmo que não ganhasse nada.


"Política" vem de polis, cidade. A cidade era, para os gregos, um espaço seguro, ordenado e manso, onde os homens podiam se dedicar à busca da felicidade. O político seria aquele que cuidaria desse espaço. A vocação política, assim, estaria a serviço da felicidade dos moradores da cidade.


Talvez por terem sido nômades no deserto, os hebreus não sonhavam com cidades: sonhavam com jardins. Quem mora no deserto sonha com oásis. Deus não criou uma cidade. Ele criou um jardim. Se perguntássemos a um profeta hebreu "o que é política?", ele nos responderia, "a arte da jardinagem aplicada às coisas públicas".


O político por vocação é um apaixonado pelo grande jardim para todos. Seu amor é tão grande que ele abre mão do pequeno jardim que ele poderia plantar para si mesmo. De que vale um pequeno jardim se à sua volta está o deserto? É preciso que o deserto inteiro se transforme em jardim.


Amo a minha vocação, que é escrever. Literatura é uma vocação bela e fraca. O escritor tem amor, mas não tem poder. Mas o político tem. Um político por vocação é um poeta forte: ele tem o poder de transformar poemas sobre jardins em jardins de verdade. A vocação política é transformar sonhos em realidade. É uma vocação tão feliz que Platão sugeriu que os políticos não precisam possuir nada: bastar-lhes-ia o grande jardim para todos. Seria indigno que o jardineiro tivesse um espaço privilegiado, melhor e diferente do espaço ocupado por todos. Conheci e conheço muitos políticos por vocação. Sua vida foi e continua a ser um motivo de esperança.


Vocação é diferente de profissão. Na vocação a pessoa encontra a felicidade na própria ação. Na profissão o prazer se encontra não na ação. O prazer está no ganho que dela se deriva. O homem movido pela vocação é um amante. Faz amor com a amada pela alegria de fazer amor. O profissional não ama a mulher. Ele ama o dinheiro que recebe dela. É um gigolô.


Todas as vocações podem ser transformadas em profissões. O jardineiro por vocação ama o jardim de todos. O jardineiro por profissão usa o jardim de todos para construir seu jardim privado, ainda que, para que isso aconteça, ao seu redor aumente o deserto e o sofrimento.


Assim é a política. São muitos os políticos profissionais. Posso, então, enunciar minha segunda tese: de todas as profissões, a profissão política é a mais vil. O que explica o desencanto total do povo, em relação à política. Guimarães Rosa, perguntado por Günter Lorenz se ele se considerava político, respondeu: "Eu jamais poderia ser político com toda essa charlatanice da realidade... Ao contrário dos 'legítimos' políticos, acredito no homem e lhe desejo um futuro. O político pensa apenas em minutos. Sou escritor e penso em eternidades. Eu penso na ressurreição do homem." Quem pensa em minutos não tem paciência para plantar árvores. Uma árvore leva muitos anos para crescer. É mais lucrativo cortá-las.


Nosso futuro depende dessa luta entre políticos por vocação e políticos por profissão. O triste é que muitos que sentem o chamado da política não têm coragem de atendê-lo, por medo da vergonha de serem confundidos com gigolôs e de terem de conviver com gigolôs.


Escrevo para vocês, jovens, para seduzi-los à vocação política. Talvez haja jardineiros adormecidos dentro de vocês. A escuta da vocação é difícil, porque ela é perturbada pela gritaria das escolhas esperadas, normais, medicina, engenharia, computação, direito, ciência. Todas elas, legítimas, se forem vocação. Mas todas elas afunilantes: vão colocá-los num pequeno canto do jardim, muito distante do lugar onde o destino do jardim é decidido. Não seria muito mais fascinante participar dos destinos do jardim?


Acabamos de celebrar os 500 anos do descobrimento do Brasil. Os descobridores, ao chegar, não encontraram um jardim. Encontraram uma selva. Selva não é jardim. Selvas são cruéis e insensíveis, indiferentes ao sofrimento e à morte. Uma selva é uma parte da natureza ainda não tocada pela mão do homem. Aquela selva poderia ter sido transformada num jardim. Não foi. Os que sobre ela agiram não eram jardineiros. Eram lenhadores e madeireiros. E foi assim que a selva, que poderia ter se tornado jardim para a felicidade de todos, foi sendo transformada em desertos salpicados de luxuriantes jardins privados onde uns poucos encontram vida e prazer.


Há descobrimentos de origens. Mais belos são os descobrimentos de destinos. Talvez, então, se os políticos por vocação se apossarem do jardim, poderemos começar a traçar um novo destino. Então, ao invés de desertos e jardins privados, teremos um grande jardim para todos, obra de homens que tiveram o amor e a paciência de plantar árvores a cuja sombra nunca se assentariam.


(Folha de São Paulo, Tendências e Debates, 19/05/2000).




Obs.: os grifos no texto são meus (Rose).